ESPAÇO DESTINADO PARA COMENTÁRIOS SOBRE COMPORTAMENTO E CAPACIDADE DE RESPOSTA, ENTENDIMENTO E DECISÃO, ONDE CONTAR A VERDADE SIMPLESMENTE NÃO BASTA, UM JULGAMENTO É NECESSÁRIO, TANTO COMO A DISPOSIÇÃO PARA ADMITIR O ERRO. RESPEITO E HONRA ÀS PALAVRAS, DOIS FUNDAMENTOS INSEPARÁVEIS DA VERDADE.
EU FUI O ÁRBITRO DE CORINTHIANS x RADAR Há partidas que terminam quando o árbitro apita o final. E há partidas que permanecem para sempre na memória de quem esteve dentro de campo. Corinthians x Radar foi uma delas. Naquela época, o futebol feminino brasileiro ainda buscava seu espaço, sua identidade e o reconhecimento que merecia. O Radar era uma das grandes referências do futebol feminino nacional, enquanto o Corinthians também fazia parte daquele cenário de construção e afirmação da modalidade. Eu, Antonio Cláudio Ventura, estava ali como árbitro. A partida havia sido determinada pela Federação Paulista de Futebol e disputada no campo do Nacional, em São Paulo. E havia ainda um ingrediente especial: as câmeras da TV Bandeirantes, através do programa Show do Esporte , registravam aquele acontecimento. Para mim, entretanto, televisão, fama ou repercussão não mudavam a essência da missão. Eu estava ali para fazer cumprir as regras do jogo. O árbitro entra em campo sozin...
A experiência de vida é um dos pilares invisíveis que sustentam o caráter de uma árbitra. Antes mesmo de vestir o uniforme e entrar em campo, ela já carrega consigo uma bagagem formada por desafios superados, escolhas difíceis e aprendizados silenciosos. Cada obstáculo enfrentado fora das quatro linhas contribui para moldar a firmeza necessária dentro delas. A arbitragem exige muito mais do que conhecimento das regras; exige maturidade emocional. A árbitra que viveu diferentes experiências — de superação, disciplina, frustração e recomeço — aprende a reconhecer que o erro faz parte do crescimento, mas que a responsabilidade por cada decisão é inegociável. É na vivência cotidiana que se constrói a serenidade para ouvir críticas sem se abalar e a coragem para sustentar uma decisão mesmo sob pressão intensa. A experiência de vida também desenvolve a empatia, qualidade essencial para quem conduz um jogo. Ao compreender as emoções humanas — a ansiedade do...
Dia após dia vemos jogadores, comissão técnica e torcedores tentando entender o porquê de um lance igual ser julgado, punido ou analisado de forma diferente. Seja em um lance do VAR, seja por um julgamento da Justiça Esportiva ou ainda de uma punição pela forma de comemoração de um gol. Tudo isso só leva a uma coisa: reclamação. Quem nunca reclamou de uma intervenção do VAR em uma partida? Quando ouvimos os especialistas de arbitragem falar e dizer que se tratava de um lance interpretativo, mas que em outros casos não foi marcado, só pode se esperar a desconfiança. Por que para uns é assim e para outros não? Por que se eu reclamar serei punido e se outros reclamarem não serão? Vimos também situações em que jogadores foram punidos pela entidade que administra o esporte por estarem, em seus momentos de comemoração dos gols, apoiando um país específico, uma ideologia, um lado na política. Ok, política não deve estar presente no futebol, não deveriam ter se ma...
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