Misoginia estrutural na arbitragem de futebol ...
A misoginia estrutural na arbitragem de futebol não é apenas fruto de atitudes individuais preconceituosas — ela está enraizada em práticas, culturas e instituições que historicamente excluíram ou limitaram a participação feminina nesse espaço.
O que significa “misoginia estrutural” nesse contexto?
É quando o sistema — mesmo sem declarações explícitas — funciona de forma a dificultar o acesso, a permanência e o reconhecimento das mulheres como árbitras.
Isso inclui normas implícitas, critérios de avaliação enviesados e culturas organizacionais dominadas por homens.
Como isso aparece na arbitragem
1. Baixa representatividade
Apesar de avanços recentes, o número de mulheres apitando jogos de alto nível ainda é pequeno, especialmente em competições masculinas de elite organizadas por entidades como a FIFA e a CBF.
2. Questionamento constante da autoridade
Árbitras frequentemente precisam provar mais sua competência. Decisões tomadas por mulheres tendem a ser mais contestadas por jogadores, comissões técnicas e até pela mídia.
3. Barreiras institucionais
Historicamente, mulheres foram impedidas de arbitrar partidas masculinas ou só tiveram acesso tardio a cursos e certificações. Mesmo hoje, há menos oportunidades de progressão.
4. Cultura do futebol
O futebol sempre foi associado à masculinidade. Isso gera resistência simbólica à presença feminina em funções de comando, como a arbitragem.
5. Exposição e cobrança desproporcional
Quando uma árbitra comete um erro, a repercussão costuma ser maior, reforçando estereótipos negativos.
Exemplos de mudança
(ainda insuficientes)
Algumas árbitras vêm quebrando barreiras importantes:
Stéphanie Frappart: primeira mulher a apitar um jogo masculino da UEFA Champions League.
Edina Alves Batista: destaque em competições da CBF e em torneios internacionais.
Esses avanços mostram que competência nunca foi o problema — o obstáculo sempre foi estrutural.
Impactos da misoginia estrutural
Desestímulo à entrada de novas árbitras
Evasão de profissionais qualificadas
Manutenção de um ambiente desigual
Perda de diversidade e qualidade na arbitragem
Caminhos para transformação
Políticas institucionais claras contra discriminação
Programas de formação e incentivo para mulheres
Maior visibilidade e valorização das árbitras
Educação cultural no futebol, desde as categorias de base
Punição efetiva para atitudes machistas dentro e fora de campo
Em síntese
A arbitragem de futebol reflete a sociedade: quando há desigualdade fora de campo, ela também aparece dentro dele.
Combater a misoginia estrutural não é apenas uma questão de justiça social — é também uma forma de elevar o nível do esporte.
Parte do pagamento era utilizado para custear cursos de arbitragem, e os 550 quilômetros de transporte para as aulas.
Após se formar em Educação física, em 2001, deixou o emprego no viveiro e passou a trabalhar na Liga de Futebol do Paraná como secretária.
Faz parte do quadro de arbitragem da CBF desde 2007
Comentários