O tempo de jogo e a consciência arbitral...

 

Por que uma partida de futebol dura 90 minutos?

A duração de 90 minutos de uma partida de futebol não surgiu de uma determinação científica sobre o tempo ideal para jogar. 

Ela é resultado de uma construção histórica, de acordos entre clubes e da posterior regulamentação das regras do esporte.

Mas existe uma história interessante por trás dessa escolha.

1. A origem dos 90 minutos

No século XIX, quando o futebol começou a se organizar na Inglaterra, não havia uma duração universal para as partidas. Os tempos eram combinados entre as equipes.

Em 1866, um confronto entre Londres e Sheffield é frequentemente citado como um marco na adoção de partidas com duração de 90 minutos.

Em 1877, a Football Association consolidou a duração de 90 minutos nas regras do futebol, estabelecendo dois tempos de 45 minutos.

2. Por que dois tempos de 45 minutos?

A divisão em dois períodos permite:

  • Recuperação física dos atletas.

  • Reorganização tática das equipes.

  • Avaliação e correção das estratégias.

  • Intervenção técnica dos treinadores.

  • Reequilíbrio emocional e psicológico dos jogadores.

O intervalo, tradicionalmente de 15 minutos, também passou a fazer parte da organização da partida.

3. Os 90 minutos não representam o tempo efetivo de jogo

Aqui está um aspecto muito importante para quem estuda arbitragem.

O cronômetro do árbitro não representa exclusivamente o tempo em que a bola está em movimento. Existem interrupções provocadas por:

  • Substituições.

  • Atendimento a jogadores lesionados.

  • Comemorações de gols.

  • Perda deliberada de tempo.

  • Revisões do VAR.

  • Outras interrupções relevantes.

Por isso, as regras permitem acréscimos ao final de cada tempo, para compensar o tempo perdido.

4. O que dizem as regras atuais?

A Lei 7 das Regras do Jogo, estabelecidas pela IFAB, determina:

  • Dois períodos de 45 minutos.

  • Intervalo de até 15 minutos.

  • Acréscimos determinados pelo árbitro para compensar o tempo perdido.

  • Prorrogação, quando prevista no regulamento da competição, geralmente com dois períodos de 15 minutos.

Fonte: História da Lei 7 – Duração da partida.

5. Uma reflexão para quem vive a arbitragem

Existe algo muito interessante nessa duração de 90 minutos: o árbitro administra não apenas o tempo cronológico, mas também o tempo esportivo, psicológico e emocional da partida.

Ele precisa compreender quando o jogo exige continuidade, quando uma interrupção é necessária e quando o tempo perdido precisa ser compensado.

O relógio mede os minutos, mas a competência do árbitro mede a qualidade da administração desses minutos.

E aqui está uma reflexão que considero especialmente importante para a formação dos árbitros:

O árbitro não é simplesmente aquele que controla o tempo de uma partida. É aquele que assume a responsabilidade de garantir que o tempo regulamentar seja respeitado, que as interrupções sejam corretamente compensadas e que o jogo aconteça dentro dos princípios da justiça esportiva.

Noventa minutos de futebol representam muito mais do que uma duração: representam noventa minutos de decisões, autoridade, equilíbrio, concentração e responsabilidade.


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