Impedimento semiautomático no Brasileirão 2026: como vai funcionar a nova tecnologia da CBF (Brasileirão)

 


Sistema é testado no Maracanã e deve ser instalado em 27 estádios da Série A; ainda não há data para início oficial

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) deu um passo importante rumo à modernização da arbitragem ao concluir a primeira fase de testes do impedimento semiautomático para o Brasileirão 2026. 

O sistema foi testado no Maracanã, durante o clássico entre Fluminense e Botafogo, no dia 12 de fevereiro, pela terceira rodada da Série A.

A tecnologia está sendo implementada em parceria com a empresa Genius Sports e será instalada, ao todo, em 27 estádios que receberão partidas da competição. 

Apesar do avanço, a CBF ainda não definiu uma data para o início oficial da utilização do sistema nos jogos.

Como funciona o impedimento semiautomático

O impedimento semiautomático, também conhecido como SAOT (Semi-Automated Offside Technology), utiliza um conjunto de câmeras de alta definição instaladas sob a cobertura dos estádios. Esses equipamentos capturam dezenas de pontos do corpo de cada jogador em tempo real.

O sistema cria um modelo tridimensional das jogadas e traça automaticamente a linha de impedimento com base na posição do penúltimo defensor. Sensores também identificam o exato momento do toque na bola, cruzando essa informação com a posição dos atletas no campo.

Diferentemente do modelo tradicional do VAR, em que a equipe de vídeo precisa traçar manualmente as linhas, o impedimento semiautomático gera uma animação quase instantânea do lance, reduzindo o tempo de checagem e aumentando a precisão milimétrica das decisões.

FBL-BRA-FLUMINENSE-BOTAFOGO

Testes no Maracanã e primeiros resultados

Segundo a CBF, durante a fase inicial de testes no Maracanã, as imagens geradas pelo equipamento ainda não estavam disponíveis para consulta do trio de arbitragem. O objetivo foi validar a precisão do sistema em comparação com as decisões tomadas em campo.

No clássico entre Fluminense e Botafogo, dois lances foram destacados. Em um deles, no ataque tricolor, o lateral Renê apareceu com o pé direito à frente de Alex Telles, defensor alvinegro que marcava a linha de impedimento. A tecnologia confirmou o impedimento assinalado pelo árbitro Rafael Klein.

Em outra jogada revisada, o meia argentino Luciano Acosta, do Fluminense, apareceu em posição legal, com o zagueiro Alexandre Barboza, do Botafogo, dando condição para a continuidade do lance. Novamente, a decisão de campo foi referendada pelo sistema

Transparência e redução de polêmicas

Presidente do Grupo de Trabalho da Arbitragem da CBF, Netto Góes avaliou como positivos os primeiros resultados e destacou o impacto da tecnologia na transparência do jogo.

Segundo o dirigente, o uso do sistema tem como objetivo otimizar as decisões do árbitro, oferecendo ferramentas mais precisas para a análise dos lances e tornando o processo mais claro para torcedores, dirigentes e atletas, por meio da divulgação das imagens geradas.

A expectativa da entidade é que, após a conclusão da instalação nos demais estádios e a realização de novas rodadas de testes, o impedimento semiautomático esteja plenamente apto a operar no Campeonato Brasileiro.


O Impedimento Semi-automático (SAOT - Semi-Automated Offside Technology) é a evolução tecnológica do VAR para resolver um dos problemas mais polêmicos e demorados do futebol moderno: a precisão e a velocidade na marcação de impedimentos.


Imagine o VAR tradicional como uma régua manual e o sistema semi-automático como um GPS de alta precisão. Aqui está como ele funciona e por que ele mudou o jogo:


Como a Tecnologia Funciona

O sistema não depende apenas do olho humano para traçar linhas. Ele utiliza uma combinação de hardware e inteligência artificial:

  • Rastreamento de Membros: Entre 10 a 12 câmeras dedicadas são instaladas no teto do estádio. Elas rastreiam 29 pontos de dados de cada jogador, 50 vezes por segundo, mapeando a posição exata de braços, pernas e tronco.

  • Sensor na Bola: No centro da bola (em competições como a Champions League e Copa do Mundo), há um sensor que envia dados 500 vezes por segundo. Isso determina o momento exato do impacto (o "chute"), eliminando a dúvida de qual frame escolher.

  • IA e Alerta: A inteligência artificial processa esses dados em segundos e envia um alerta automático para os árbitros na cabine do VAR se um jogador em posição irregular tocar na bola.

Por que é "Semi-automático"?

O nome é esse porque a decisão final ainda é humana. O sistema avisa o VAR, que revisa o lance rapidamente para confirmar se o jogador interferiu no jogo antes de comunicar o árbitro de campo.


Principais Vantagens

BenefícioDescrição
VelocidadeReduz o tempo médio de decisão de 70 segundos para cerca de 20 a 25 segundos.
Precisão CirúrgicaElimina o erro humano ao traçar linhas manuais que podiam variar por centímetros.
Animação 3DApós a decisão, o sistema gera automaticamente uma animação 3D para ser exibida no telão e na TV, explicando visualmente o erro.


Onde é utilizado?

Atualmente, o sistema é o padrão ouro das principais competições da FIFA e da UEFA:

  • Copa do Mundo (masculina e feminina).

  • UEFA Champions League.

  • Premier League (Inglaterra) e Serie A (Itália).

  • No Brasil, a tecnologia ainda enfrenta barreiras de custo para implementação em todos os estádios da Série A, embora seja discutida constantemente pela CBF.

 

O sistema é tão preciso que consegue detectar impedimentos de "ponta de nariz" ou "dedão do pé", o que gera debates sobre o "espírito da regra", mas garante que a regra seja aplicada de forma igual para todos.


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