O ARBITRO DE FUTEBOL – UMA ABORDAGEM HISTÓRICO

 


CRÍTICA THE SOCCER REFEREE – A CRITICAL HISTORIC APPROACH 

(Alberto Inácio da Silva* Ciro Romelio Rodriguez-Añez** Edgardo Romero Frómeta*** )


RESUMO 

Este estudo teve como objetivo buscar na literatura a origem para esclarecer a função de figura tão importante para o futebol: o árbitro. 

Através de revisão bibliográfica, constatou-se que o árbitro de futebol surgiu no século XIX, mais precisamente em 1868 (CBD, 1978). 

Os primeiros árbitros de futebol intervinham na partida somente quando uma das equipes reclamava. 

Para parar o jogo este gritava, já que o apito só começou a ser utilizado a partir de 1878 (DUARTE, 1997). 

Em 1896, a regra dá ao árbitro o direito de punir por sua própria iniciativa, sendo que as suas decisões passaram a ser sem apelo (ANTUNES, 199?). 

Os árbitros assistentes foram criados em 1891 (ANTUNES, 199?). 

Como referencial teórico, utilizou-se livros de história do futebol, livros de regras, jornais, revistas científicas e anais. 

A análise dos textos permitiu concluir que o árbitro é uma pessoa que possui um conhecimento especial das regras, seu dever é cumpri-las e fazer com que sejam cumpridas. 

Com o passar do tempo, contudo, algumas pessoas acreditaram que existem objetivos mais relevantes em uma partida de futebol que o cumprimento das regras, que estas são apenas um detalhe, e, se for necessário ignorá-las para se obter uma vitória, isto parece ser uma atitude normal no mundo futebolístico. 

INTRODUÇÃO 

Há muito tempo, despertou-se para a necessidade de se investir em pesquisas que possam contribuir para fundamentar todo e qualquer dado histórico. 

Os grandes investimentos históricos-científicos no futebol, eram quase que restritos às regras, federações e jogadores, mas, com o passar do tempo, verificou-se que existe uma pessoa que faz parte deste círculo e, que passa, muitas vezes, despercebida no futebol, mas que é tão antiga como este esporte. Esta pessoa é o árbitro. 

Segundo o Sindicato dos Àrbitros de Futebol do Estado de São Paulo, estima-se que existam no mundo aproximadamente setenta e seis mil árbitros de futebol trabalhando nos mais diversos campeonatos. 

O árbitro é tão importante para o futebol,  que sem ele não pode ocorrer uma partida (INTERNACIONAL FOOTBALL ASSOCIATION BOARD, 1999). 

Na realidade, * para uma partida ser conduzida com eficiência, deverão estar presentes no campo de jogo no mínimo três árbitros, porque um atuará como árbitro principal (aptidando a partida) e os outros dois atuarão como árbitros assistentes, conhecidos popularmente como bandeirinhas. 

Por muito tempo, o árbitro de futebol foi considerado uma figura secundária no futebol. 

Com o passar dos anos, observou-se que o árbitro é a pessoa que realmente pode decidir uma partida. 

O árbitro é imprescindível para este esporte, pois uma decisão equivocada pode retirar de um campeonato uma equipe que investiu milhões de dólares na compra e no preparo dos jogadores, restando para esta equipe apenas a lamentação. 

Devido à relevância do árbitro para o futebol, a comunidade científica passou a investigá-lo nos últimos anos e a publicar trabalhos que possam fundamentar a sua importância e a fornecer dados para melhor prepará-lo. 

Entre esses trabalhos, encontram-se os de Ekblom (1994), que descreve as ações motoras desenvolvidas pelos árbitros durante a partida de futebol sem determinar as distâncias percorridas em cada ação motora. 

Outros autores descreveram as ações motoras do árbitro de futebol durante a partida, dando as respectivas distâncias percorridas em cada uma desenvolveram um trabalho no qual estudaram os parâmetros antropométricos e funcionais (acuidade visual, condicionamento físico e habilidades mentais) dos árbitros de futebol. 

Rodrigues-Añez e Silva (2001) estudaram a freqüência cardíaca e a intensidade da atividade física do árbitro e do árbitro assistente durante o transcorrer de uma partida. 

Silva (1998) desenvolveu um trabalho sobre as ações motoras do árbitro assistente durante o transcorrer de uma partida de futebol. 

O objetivo deste trabalho é buscar na literatura a origem do árbitro, comprovar como é árduo seu trabalho e como ocorrem as pressões e intervenções em seu trabalho. 

O SURGIMENTO DAS REGRAS E DO ÁRBITRO 

A partir do século XIX, com a criação das regras de futebol separando-o ou distinguindo-o do rugby, o mesmo passou a ter as características que permanecem até hoje. 

As regras, que segundo a Confederação Brasileira de Desportos (1978) somavam nove, estabeleciam como esse esporte deveria ser jogado. 

Nessa época, o senso comum dos jogadores dirigia os jogos, considerados quase uma brincadeira. 

Havia humildade entre os jogadores, e caso alguém gritasse que havia ocorrido uma falta, todos paravam, já que gritavam: Pára! Pára! 

Um ou outro reclamava, mas o jogo era interrompido porque ninguém mais corria atrás da bola, o senso comum prevalecia. 

Com o passar dos anos, o senso comum já não garantia que as regras fossem cumpridas pelos atletas, e diz Saldanha (1971) que antes do aparecimento do árbitro de futebol, quem cumpria seu papel era uma comissão, que durante as partidas se posicionava em um palanque. 

Essa comissão só se pronunciava ou interferia no jogo mediante reclamação de uma das equipes. 

Quando uma equipe se sentia prejudicada, recorria à comissão; todos os membros da equipe se manifestavam e dirigiam-se até a mesma exigindo providências, contudo essas reclamações nem sempre eram em termos, portanto, não raro o palanque era lançado ao chão com comissão e tudo (SALDANHA, 1971). 

Para evitar que todos os jogadores reclamassem ao mesmo tempo, isto é, se dirigissem ao mesmo tempo à comissão, ficou definido que o jogador “reclamador” deveria utilizar um boné. 

Ainda segundo Saldanha (1971), o boné deu origem ao que se convencionou chamar de capitão da equipe, porque boné em inglês é cap, e quando uma equipe inglesa ia jogar em outro país, aparecia na escalação do time um dos jogadores designado como cap e todos pensavam que era abreviatura de capitão, assim, foi instituída a figura do capitão nas equipes, o “reclamador”, o qual foi incorporado também em vários esportes, e as equipes até hoje acreditam que o capitão tem o direito de reclamar acintosamente durante o jogo. 

Em 1881 surgiu a figura do árbitro, de acordo com Antunes [199?], o qual dirigia as partidas de futebol sem uma regra que estipulasse quais eram seus direitos e deveres. 

O árbitro só intervinha em uma jogada quando alguém de uma das equipes reclamava. Antunes [199?] salienta que em 1890 surgiu o árbitro através da regra, a qual regulamentava sua função em campo. 

A Confederação Brasileira de Desportos (1978), atenta que, em 1868, em uma das várias modificações sofridas pelo futebol, criou-se o árbitro. 

Almeida [199?] afirma que os primeiros juízes de futebol utilizavam irrepreensíveis calças vincadas, bem cortadas e jaquetas, que corriam pelos campos enlameados parando o jogo a gritos quando achavam que teria sido cometida uma falta. 

Em 1891, segundo Antunes [199?], houve uma revisão completa do código, e este possibilitava ao árbitro dois assistentes, que, ao contrário do árbitro, já surgiram com suas funções determinadas. 

No início, o árbitro não utilizava apito para parar. 

O árbitro de futebol 41 uma jogada, assinala a Confederação Brasileira de Desportos (1978), ele apenas gritava para que os jogadores parassem quando entendia ter sido cometida uma falta. 

Duarte (1997) pontua “que em 1878, o apito começou a ser usado e isso aconteceu no Nottingham Forest Ground”. 

Com o passar do tempo, porém, a regra que trata da arbitragem foi sofrendo modificações, possibilitando cada vez mais poderes ao árbitro, já que o futebol passou a ser praticado não mais como brincadeira e sim como competição, que envolvia tanto os clubes regionais quanto os clubes estaduais e até os internacionais. 

ÁRBITRO, O JUIZ 

Manzolello [199?] assinala que arbitragem é um “troço doido”, porque o julgamento desportivo é uma difícil tarefa pela própria dinâmica intrínseca do jogo. 

O árbitro deve, praticamente, em um mesmo instante observar, constatar, interpretar, julgar e punir ou absolver um atleta, o que não é fácil e não é qualquer pessoa que consegue. 

Manzolello [199?] relata ainda que a função do árbitro de julgar se torna mais difícil pelo fato deste não estar julgando um fato isolado, mas uma “chuva” intermitente deles em um espaço de tempo pequeno, sem “replay”. 

O julgamento do árbitro difere do julgamento de um juiz, pois este último pode consultar a lei, defender uma tese, invocar a doutrina ou discursar para os jurados antes de pronunciar sua sentença. 

Para tomar uma decisão, o árbitro é ao mesmo tempo delegado, promotor, júri e juiz, tendo também que atuar como advogado de defesa em alguns momentos, por que é sabedor da grande responsabilidade que lhe pesa nos ombros pelo caráter irrecorrível das suas sentenças (MANZOLELLO, 199?). 

De acordo com Antunes [199?], a partir de 1896 a regra deu ao árbitro o direito de punir por sua própria iniciativa e suas decisões passaram a ser sem apelo, por que até então os árbitros geralmente só puniam ante uma reclamação de um dos times. 

No futebol o árbitro também tem a sua regra, a qual define sua função durante a partida. 

Atualmente seus deveres estão descritos na regra de número 5, e a que define a função de seus assistentes é a de número 6. 

O árbitro pode atuar como árbitro assistente e o árbitro assistente como árbitro. 

Na verdade, ambos são árbitros, mas como atualmente durante uma partida utilizam-se dois árbitros assistentes, dois árbitros são escalados para essa função. 

Por isso é que se vê em algumas partidas, o árbitro atuando como assistente e em outras, como árbitro principal. 

Atualmente a regra também descreve a função de mais um árbitro, que poderá compor a equipe de arbitragem designada para conduzir uma partida. 

Este é o árbitro reserva, o quarto árbitro, o qual poderá atuar na partida caso alguém se machuque na função de árbitro principal ou árbitro assistente, dependendo do regulamento do campeonato. 

O árbitro é chamado muitas vezes de “juiz”, mas na verdade o nome correto do profissional encarregado de conduzir uma partida de futebol é “árbitro”. 

Essa confusão acontece pelo fato de que antigamente a regra chamava o árbitro de juiz, e seus assistentes de auxiliares, fiscais ou juízes de linha. 

Hoje a regra trata o árbitro apenas como árbitro (principal) e seus assistentes de árbitros assistentes. 

No Brasil, de acordo com Almeida [199?], a figura do árbitro surgiu junto com o futebol, o qual surgiu oficialmente em 1894, trazido da Inglaterra por Charles Miller. 

Barros (1990) saalienta que é uma situação difícil conduzir uma partida no Brasil, e que são muitos os fatores que contribuem para tal. 

Entre os problemas que interferem na arbitragem pode-se destacar a falta de estrutura de vários campos de futebol, a falta de segurança, a conduta desonesta de alguns dirigentes, a falta de conhecimento das regras por atletas, técnicos e treinadores e o próprio despreparo de alguns árbitros. 

Segundo este autor, as previsões para o mau andamento de uma partida de futebol começam uma semana antes de um clássico. 

A imprensa começa a especular, os dirigentes querem coagir o árbitro e várias pessoas começam a emitir suas opiniões sobre quem deve ou não apitar o jogo. 

Dessa forma, os jogadores já entram em campo psicologicamente defendido contra determinados árbitros. 

Este fato, por si só, já dificulta a arbitragem da partida. 

Segundo Almeida [199?], no começo o árbitro comportava-se no mesmo nível amadorístico dos jogadores. 

Para apitar uma partida, era escolhida uma pessoa momentos antes desta iniciar-se, a qual nada recebia pelo seu trabalho. 

As pessoas escolhidas eram extremamente corretas, até que percebiam ser apaixonadas por uma das equipes, como qualquer mortal. 

Já que a função de árbitro podia ser exercida por qualquer pessoa, na maioria das vezes eram por ex-jogadores de futebol, em outras, por pessoas com muita influência ou prestígio na cidade onde seria realizada a partida. 

O escritor Walter Wanderley (apud LIMA, 1982), conta que certo dia em Mossoró, uma mulher, Dona Celina Guimarães Viana, apitou um jogo em uma praça. 

Corria vestida com uma saia, suou e fez miséria, inclusive marcando um pênalti para cada equipe. 

Segundo Faria [199?]e, o árbitro é esquecido ingratamente durante a alegria de uma vitória, sendo relegado a segunda plano, ignorado na dedicação e eficiência de seu trabalho. 

No entanto, na derrota é ultrajado impiedosamente, não sendo poupado de injúrias. 

 De acordo com Faria [199?]c, o árbitro é um ser humano como qualquer outra pessoa, e como tal ele pode cometer erros. 

Os erros podem ser cometidos pelo fato de o árbitro estar mal postado em campo, por ter interpretado a regra ou o lance erroneamente, ou por não ter tido tempo suficiente para interpretar a jogada. 

Uma jogada faltosa que pode ser assistida por dez mil pessoas, o árbitro, juntamente com as outras dez mil pessoas que estão postadas do outro lado do estádio pode não estar vendo, por causa do ângulo de visão. 

Para Ekblom (1994), uma “decisão errada” do árbitro é uma decisão de acontecimento. 

Os erros cometidos pelos árbitros são imperdoáveis para algumas pessoas. 

Errar é uma atitude que qualquer pessoa pode cometer, mas isto não é válido para o árbitro dentro do campo. 

Encerrar uma partida agradando as duas torcidas é dificílimo, se não impossível. 

A maioria acha que o árbitro não erra, mas age de má fé. 

Faria [199?]d considera a vida do árbitro de futebol uma tortura, que se uma pessoa quiser vingar-se de alguém, ela deve apenas pedir a Deus para que esta seja árbitro de futebol. 

O árbitro gasta boa parte de sua vida próximo da bola sem poder tocá-la, entre os jogadores suados, suando também, desgastando-se fisica e psicologicamente, correndo na chuva ou no sol, para, muitas vezes, no final de um trabalho prestado com satisfação, sair de campo aos gritos de "ladrão, ladrão". 

Para o torcedor, é a vitória de sua equipe que importa. 

Uma semana cheia de problemas e desgostos pode ser esquecida mais facilmente se sua equipe conseguir uma vitória. 

Contudo, os fanatismos de antes, durante e depois de uma partida de futebol podem levar qualquer pessoa a cometer atos violentos e selvagens, independentemente de seu nível cultural. 

Atos assim ocorreram em uma partida de futebol pela Copa Sul, na qual o médico da equipe do Grêmio adentrou o gramado, agredindo o árbitro com socos e pontapés. 

Faria [199?]a acredita que um bom árbitro precisa reunir qualidades que normalmente não são exigidas dos comuns mortais para cargos bem mais remunerados. 

Serenidade, equilíbrio, profundo conhecimento das regras, bom senso, rapidez de raciocínio, bom preparo físico e, em dose maior, a ajuda de Deus, são algumas das exigências para a sua função. 

Hoje atuam oficialmente como árbitro homens e mulheres. Não se sabe ao certo quando as mulheres começaram a atuar como árbitro. 

O trio designado para conduzir uma partida pode ser formado por somente homens ou mulheres, podendo também ser constituído de forma mista. 

ARBITRAGEM NO BRASIL 

No Brasil, nunca houve árbitros excelentes em quantidades, afirma Almeida [199?]. 

Entre os maiores, de acordo com Almeida [199?], Manzolello [199?] e Faria [199?]a, destacam-se Mário Viana, que era policial e não gostava de levar desaforo para casa, brigando com jogadores e torcedores, e chegou a ser árbitro da Fifa. 

Outro árbitro que fez história no futebol brasileiro foi Armando Nunes Castanheira Marques. Ruim de bola, não resistiu à idéia de ter de viver longe do futebol. 

De acordo com Almeida [199?], Armando Marques, como ficou conhecido, é o mais polêmico, discutido, ironizado e glorificado árbitro do futebol brasileiro. 

 Era conhecido nacional e internacionalmente pelos seus trejeitos, sua figura esguia e passos ligeiros de bailarino. 

Armando Marques foi presidente da Comissão de Arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol, e em 1999 foi suspenso de seu cargo.  

O árbitro de futebol, por ter comentado ofensivamente a atuação de um árbitro durante o jogo entre Vasco da Gama e Paraná Clube, no campeonato brasileiro, interrompido porque um dirigente invadiu o campo (SANTOS, 1999). 

Almeida [199?] afirma que existem árbitros que ficam famosos por serem desonestos, como o caso de João Etzel do Rio de Janeiro, que infelizmente ficou famoso por sua conhecida vulnerabilidade ao suborno. 

A cada dia que passa, o futebol vai se tornando mais violento (SANTOS, 1999). 

O campeonato brasileiro do ano de 1999 bateu todos os recordes de violência da última década; em uma só partida foi cometida 105 infrações. 

 Não é difícil encontrar diariamente nos meios de comunicação relatos de violência envolvendo atletas, árbitros, dirigentes e torcedores. 

No entanto, a violência no futebol, as denúncias de corrupção de atletas, dirigentes e árbitro é culpa daqueles que comandam esse esporte. 

De acordo com Faria [199?]b, os cartolas, como são conhecidos os dirigentes de futebol, no início eram filhos de papais ricos, muitos dos quais vadios e inúteis para tudo, utilizando o futebol como refúgio, com perspectiva de sucesso. 

O que não conseguiriam normalmente pelo trabalho duro e difícil, o futebol não lhes negaria. 

Ainda segundo Faria [199?]b, o cartola mais honesto e de intenções mais puras, hoje, no mínimo dedica-se ao tráfego de influências, usando o clube, o jogador e a torcida sem parcimônias, à custa de todos ganha evidência, elege-se, faz-se notável. 

Manzolello [199?] salienta que o cartola que não vive o futebol não deveria viver em sua atual estrutura. 

O dirigente abusa de seu cargo com os clubes e federações e não se sente responsável. 

Se entra em campo para desacatar o árbitro e, em conseqüência, quando é suspenso, para que serve a punição? 

Os cartolas exploram seus clubes colocando-os em um buraco sem fundo e o máximo que se pode fazer contra eles é não reelegê-los. 

Ainda Manzolello [199?], os cargos mais cobiçado pelos cartolas são as escalações dos árbitros. 

É o cartola que indica ou veta um árbitro para seu jogo. 

Não é raro ver, na imprensa, denúncias envolvendo cartolas, árbitros e comissões encarregadas de escalarem árbitros para os mais diversos campeonatos. 

A escalação de um árbitro é tão ou mais importante para um cartola que a própria escalação de sua equipe, haja vista que o cartola sabe que este, em algumas situações, pode influir na arbitragem. 

Hoje, apitar uma partida de futebol requer do árbitro mais conhecimento que qualquer treinamento pode dar. 

O árbitro é visto por todos como um inimigo, qualquer atitude que tenha é suspeita, se cumprimentar alguém calorosamente antes de um jogo, há quem pense que já está sendo comprado. 

A pressão psicológica é tão grande, que a seguir se transcreve o que um árbitro escreveu na súmula após um jogo turbulento no estado de São Paulo.

Pelo exposto, vê-se que, mesmo com o cavalheirismo e presidente abnegação do do Internacional, Sr. Benedito, se não fosse o Todo Poderoso descer lá das alturas e dar-nos uma ajudazinha, e o nosso Anjo da Guarda haver trabalhado sem descanso durante os 90 minutos de jogo, não sei se hoje os meus filhos não estariam lamentando o desaparecimento prematuro do pai deles. 

Sim, porquanto ao entrar no estádio, fui logo sendo ameaçado de[...] (ALMEIDA, [199?]). 

CONCLUSÃO 

Espera-se que este trabalho possa ter contribuído para mudar o preconceito que algumas pessoas têm do árbitro de futebol. 

O árbitro de futebol foi criado para ajudar o esporte, para cumprir as regras e fazer com que estas sejam cumpridas. 

Suas decisões não podem ser contestadas, são sem apelo. 

Este fato, de acordo com Ekblom (1994), protege o árbitro e sustenta sua autoridade dentro de campo. 

Ao longo dos anos, algumas pessoas passaram a acreditar que existem objetivos mais importantes em uma partida do que o cumprimento de suas regras, que estas são apenas um detalhe, e se for necessário descumpri-las para se obter uma vitória, o fato é considerado normal no mundo do futebol. 

Entretanto, as pessoas que possuem um senso de honestidade e espírito esportivo, sabem que não é com desonestidade que o futebol sairá da situação em que se encontra. 

Os dirigentes, técnicos, treinadores e professores deveriam utilizar o futebol como meio para a construção do caráter das crianças.

Os exemplos que se observam hoje no futebol mundial, contudo, principalmente através da mídia, seja dentro ou fora do campo, se forem utilizados no intuito de forjar o caráter de uma criança, conduzirá esta mais para ser um delinqüente do que um cidadão produtivo. 

São tantos os fatores que podem interferir em uma arbitragem que fica difícil discuti-los todos aqui, mas é importante que as pessoas apaixonadas por futebol verifiquem como é construído o clima de uma partida pela imprensa, pelas declarações dos dirigentes e jogadores, os quais com antecedência, querem imputar a responsabilidade de tudo para o árbitro; e logo, este será o culpado pela vitória ou derrota de sua equipe, e quando este sai do vestiário e adentra em campo, já o condenaram, acreditando que é a pessoa encarregada de estragar o espetáculo, o futebol. 


REFERÊNCIAS 

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Endereço para correspondência: 

Alberto Inácio da Silva, Rua Vitorino Polli, 286, Jardim Adriana, Colombo, PR, Brasil, CEP 83.408-480. 

E-mail: albertoinacio@bol.com.b

Comentários


Designados para impor e fazer valer as regras do jogo durante uma partida, os árbitros sofrem uma pressão vinda de todos os lados, pois diferente dos jogadores, um único erro pode lhe custar caro. Diante disso, o presente estudo objetiva organizar conteúdos acerca das habilidades psicológicas necessárias para o bom desempenho do árbitro de Futebol, propondo estratégias de melhoria das habilidades psicológicas junto aos árbitros de Futebol. Assim, este estudo é caracterizado como um estudo bibliográfico de caráter descritivo-propositivo. Na organização de conteúdos, observou-se que a preparação psicológica deve fazer parte da preparação do mesmo, assim como a preparação física, ou seja, o árbitro deve estar bem fisicamente e psicologicamente, apresentando qualidades psicológicas que lhe ajudem a enfrentar toda a demanda psicológica negativa que uma partida de Futebol possa causar. Além disso, a preparação física contribuirá com o bom desempenho do árbitro, pois o mesmo poderá se posicionar adequadamente para observar o lance, diminuindo a dúvida sobre o ocorrido e, consequentemente, diminuindo a carga psicológica na tomada de decisão. Assim, conclui-se que as habilidades psicológicas, se trabalhadas de forma adequada, só favorecem o trabalho do árbitro de Futebol, levando-o ao sucesso.

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